CRÔNICA - Ciao, Rrrómolo
Ho vissuto in molti luoghi, ne ho visitati tanti altri, ma oggi ho tre case nel mondo. Ognuna ha un ruolo nella mia vita.
Fra queste, c’è il mio luogo d’artista, dove mi sveglio in un edificio secolare dal pavimento di legno che scricchiola, apro le pesanti finestre che non possono essere sostituite — per effetto di una legge sulla tutela del patrimonio storico —, sento immediatamente il profumo del pesce appena pescato e, poco dopo, scendo a prendere un caffè nel ristorante che occupa il piano terra del piccolo edificio di tre piani.
Al caffè del vecchio — che impreca contro quasi tutti i clienti senza che loro se ne accorgano — chi mi serve sa già quale bevanda ordino ogni giorno e perfino dove preferisco sedermi. Ho confessato a Magda, la nipote del vecchio, che mi piace trascorrere il tempo ascoltando le storie degli sconosciuti, dalle quali riesco quasi sempre a cogliere qualcosa che mi ispira a scrivere quando torno nell’appartamento al piano di sopra.
A volte rimango seduto per quasi due ore, bevendo un macchiato dopo l’altro e ascoltando conversazioni che non dovrei sentire. Poi salgo, scrivo e, alle quattro del pomeriggio, esco per pranzare, sempre nello stesso posto, vicino alla porta della città, dove quasi non entrano automobili. Anche lì i gesti e la routine sono pressoché gli stessi. Lo stesso accade la sera, sul molo, quando vado a prendere un gelato e ad ascoltare barcaioli, velisti, marinai e pescatori recitare la loro lingua mentre parlano di donne, calcio, pesci, donne e calcio.
Rientro presto. Il rumore del mare che si infrange sugli scogli è poetico e incantatore. Mi addormento rapidamente, riflettendo su quanto sia felice in quel luogo, dove quasi nessuno mi chiede chi sono, tanto meno che cosa faccio. Il mio nome basta per il saluto quotidiano:
— Ciao, Rrrómolo.
Ma, naturalmente, questo racconto è bello solo quando tutto intorno non è gremito di turisti con i loro abiti firmati e i cellulari puntati ovunque per scattare selfie. Portofino è splendida sotto il sole, ma purtroppo molto meno interessante quando è invasa da persone attirate dagli algoritmi dei social network. In questo paradiso, raramente scatto una fotografia a me stesso, perché trascorro gran parte del mio tempo a creare e a vivere.
TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS
Já morei em muitos lugares, visitei tantos outros, mas hoje tenho três lares no mundo. Cada um exerce uma função em minha vida.
Entre eles, há o meu lugar de artista, onde acordo em uma construção secular de piso de madeira que range, abro as pesadas janelas que não podem ser substituídas — por força de uma lei de preservação patrimonial —, sinto imediatamente o cheiro de peixe recém-pescado e, logo depois, desço para tomar um café no restaurante que ocupa o térreo do pequeno prédio de três andares.
No café do vecchio — que xinga quase todos os clientes sem que eles o ouçam —, quem me atende já sabe qual bebida peço todos os dias e até onde prefiro me sentar. Confessei a Magda, neta do vecchio, que gosto de entreter o tempo ouvindo histórias de estranhos, das quais quase sempre aproveito algo para me inspirar a escrever quando retorno ao imóvel no andar de cima.
Às vezes passo quase duas horas sentado, tomando um macchiato atrás do outro e ouvindo conversas que não deveria. Subo, escrevo e, às 16 horas, saio para almoçar, também no lugar de sempre, já próximo ao portal da cidade, onde quase não entram carros. Por lá, o comportamento e a rotina são praticamente os mesmos. Assim como à noite, no cais, quando vou tomar um gelatto e ouvir barqueiros, velejadores, marinheiros e pescadores recitarem seu idioma enquanto falam de mulheres, futebol, peixes, mulheres e futebol.
Recolho-me cedo. O som do mar batendo nas pedras é poético e enfeitiçante. Adormeço rapidamente, refletindo sobre como sou feliz naquele lugar, onde quase ninguém pergunta quem eu sou, muito menos o que faço. Meu nome basta para o cumprimento diário:
— Ciao, Rrrómolo.
Mas, é claro, essa narrativa só é bonita quando tudo ao redor não está apinhado de turistas com suas roupas de grife e celulares tirando selfies a toda hora. Portofino é linda sob o sol, mas, infelizmente, menos interessante quando muita gente chega atraída pelos algoritmos das redes sociais. Nesse paraíso, raramente faço um registro fotográfico de mim mesmo, pois passo a maior parte do tempo criando e vivendo.
texto: Rômulo André Álvares
