LEIA O PRÓLOGO DE OITO CARTAS, DESTINATÁRIO AUSENTE

Leia uma amostra do romance-suspense do ano: Oito Cartas, Destinatário Ausente, de autoria do nosso editor Rômulo André Álvares 


PRÓLOGO



Dante: Sim?

Renata Pelizatti: Alô? Oiii! Tudo bem, Dante? Aqui quem está falando é a Renata Pelizatti, repórter do caderno de cultura do jornal Folha de S. Paulo.

Dante: Oi, Renata.

Renata:  Espero que esteja tudo bem com você. (pausa) O motivo do meu contato, é que gostaria de fazer uma entrevista, devido ao sucesso do lançamento do seu livro mais recente.

Dante: Mas eu já dei uma entrevista à Folha. Inslusive, longa demais.

Renata: Eu sei, Dante. Mas agora a repercussão do seu livro está em outro momento, e muitas pessoas estão curiosas; não apenas sobre a obra, mas, também, sobre o que é real ou apenas ficção. Como também querem saber mais sobre o autor.

Dante: Mas eu já havia deixado claro na entrevista que o que eu tinha pra dizer era o suficiente. Assim como quero que as pessoas se interessem mais pelo que escrevo. Minha vida pessoal não tem a menor relevância.

Renata: Eu entendo, Dante. Mas você é um homem inteligente e sabe como ao menos uma aspas a mais para seu público pode trazer muito mais visibilidade para sua obra e para seus proximos projetos.

Dante: Renata, ainda que tenha se apresentado, sei um pouco sobre você. E você não é só inteligente, como também é muto sagaz. Por esse motivo, esperava que fosse me surpreender, e querer extrair algo diferente de mim. Acreditava que não fosse uma jornalista que desse ao leitor apenas o que ele quer; por exemplo, como faço com meus leitores, dando a eles o que nem imaginam que precisam.

Renata: Você tem razão, estou longe de ter a esperteza que você tem. Mas ainda assim, me acho uma boa jornalista. E uma das minhas qualidades é humildade. Por isso, não vou perder a oportunidade de aprender com você. E já que falou sobre lhe pedir algo fora do óbvio, quero saber: o que o Dante de um livro tão aclamado, mas, polêmico, cheio de drama, suspense e outros assuntos indigetos, teria de diferente pra dizer ao seu público agora? Algum novo livro sendo escrito? De um outro gênero, talvez?

Dante: (breve silêncio) Bem, não sei se continuarei a escrever livros. Esse que acabo de lançar, sempre foi meu único objetivo em relação a escrever uma obra completa. Mas, como ele demorou muito para ser finalizado, acabei escrevendo outras histórias que fui criando na minha cabeça, ou que foram inspiradas em meu cotidiano; assim como o cotidiano de outras pessoas. Portanto, acredito que eu tenha deixado um bom legado para os meus leitores e meus haters.

Renata: A forma pensativa como começou a responder à minha pergunta, Dante, não parece a de alguém que está convecido de que não tem mais nada a dizer.

Dante: De fato, você é uma jornalista melhor do que eu havia julgado.

Renata: Obrigada!

Dante: Está bem, Renata. Tenho alguma coisa que gostaria de dizer no momento, porque é algo que estou setindo e acabei de escrever.

Renata: Aí, que máximo! Alguma frase? Conto? Crônica?

Dante: Talvez uma crônica. Não escrevi com algum objetivo. Muito menos com a intenção de ser publicada.

Renata: Algo pessoal?

Dante: Quase tudo o que um escritor escreve é pessoal. E, às vezes, apenas veste como ficção.

Renata: Você pode me mostrar? Ou ler pra mim ao telefone?

Dante: Você me pegou quando eu já estava de saída. Estou com as malas dentro do carro e estava fechando a casa.

Renata: Turnê com o livro?

Dante: Não.

Renata: Alguma viagem especial?

Dante: Irei passar uns dias em alto-mar.

Renata: Aí, que delicia! Sozinho?

Dante: Todo nós somos sozinhos.

Renata: Somos, mas não estamos. E se disse malas no plural, pra quem vai ficar apenas em alto-mar e parece tão ansioso para se livrar de mim...

Dante: Me passa seu e-mail, Renata, que te envio a fotografia do rascunho. Pois escrevi à mão.

Renata: Claro. Mas antes, você pode me dizer qual o gênero ou o que estava sentindo no momento em que escreveu? Para que eu faça uma melhor direção quando publicar. Assim evitamos algum ruído com os leitores da coluna e... seus haters.

Dante: Amor.

Renata: Amor? Nossa... estou surpresa. Não imaginava que...

Dante: Que eu fosse capaz de escrever sobre amor?

Renata: Eu não terminei a frase. Na verdade, eu não imaginei que você iria querer se expor com um assunto tão íntimo e pessoal.

Dante: Mas quem disse que é sobre mim?

Renata: Você.

Dante: Em que momento?

Renata: Quando mencionou que todo escritor escreve – de algum modo – sobre si mesmo. Ainda que seja uma ficção.

Dante: Vejo que você é boa mesmo. Se eu não tivesse embarcando em uma viagem longa, a contrataria para ser minha assessora de imprensa.

Renata: Fico lisonjeada. E acredito que seria um prazeroso desafio.

Dante: Pois mande um oi para o meu e-mail, para que eu tenha seu endereço e envie a fotografia do texto.

Renata: Antes, gostaria de deixar alguma declaração pessoal sobre o que esse texto representa pra você? Algo para acrescentar?

Dante: (longo pausa) Não corra atrás das borboletas, cuide do seu jardim.


Oito Cartas, Destinatário Ausente

sinopse:

Um romance-suspense epistolar, todo narrado através de cartas. O remetente: Dante, um jovem escritor brasileiro que, ao tentar manter acesa a chama do amor pelo ex-namorado Sascha - um cozinheiro francês radicado no vilarejo de Arraial d'Ajuda, na Bahia -, lhe escreve uma, duas... até oito cartas.

O que levou duas pessoas predestinadas a ficarem juntas, romperem? Quem de fato é o remetente e o destinatário? O que acontece após a oitava carta?

A cada carta, muitas revelações; na mesma medida, deixa mais perguntas. Entre elas, uma atravessa a própria história: o que resta dos contos de fadas quando o “felizes para sempre” já não basta; e o príncipe ou a princesa deixam de ser quem pareciam?

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