poema - Romulus
Caminhava pelas ruas de um vilarejo medieval,
buscando algo que transformasse a minha vida,
no desejo de que ela não continuasse mais perdida.
Sempre me reconheci como um imperdor,
habitando um mundo pequeno onde não cabia o meu valor.
Aquela jornada era uma viagem quase sem volta,
onde o único retorno possível,
era ter a minha vida de volta.
No trajeto, uma companhia indesejável:
a mulher que me trouxe ao mundo.
Não trocamos uma palavra,
porque as nossas energias divergiam em um lugar profundo.
Ela ensaiava o papel que nunca ousou interpretar;
já eu, dispensava o que não fazia mais sentido aceitar.
Chegando a um casebre de pedra, uma familia nos recebeu.
Tão logo me dei conta,
que era a linhagem que me concebeu.
Em uma ampla sala, mas sem luxo,
onde homens em silêncio estavam reunindos,
entre eles, o pai que sempre desejei conhecer.
Mas que a mulher que me acompanhou até ali,
jamais deixou acontecer.
Tudo acontecia sem um único diálodo no ar,
apenas emoções traduziam o que evitávamos falar.
Os olhos daqueles homens começavam a escurecer,
incluindo o de Lúcifer, que meu pai dizia ser.
A Luz da Manhã dizia que eu precisava me entregar à minha descendência;
já a mulher que no passado se juntou a ele para me gerar,
temia que a Deus eu não fizesse mais reverência.
Acontece que nenhum deles me abriu caminho na vida.
Mãe, pai, Deus ou Lúcifer.
Sozinho, eu abri caminho,
aterrei chão, construí pontes e,
agora, confeccionava asas para voar.
Portanto, não preciso de coroação;
minhas decisões ao longo da vida fizeram isso por mim.
Não preciso de um trono;
o uiverso é vasto demais para eu perder tempo sentado.
Não preciso de benção;
o abandono já executou essa função.
Não preciso de mãe, pai, Deus ou Lúcifer;
pois eu sou todos eles.
O bem, o mal, e qualquer nome que,
só os perdidos em busca de uma identidade
permitem se encaixar.
Em uma busca desenfreada de um sentido à própria vida dar.
Sou Luz do Amanhecer e do entardecer.
Sou luz, sou penumbra.
Enfim, luz.
A luz do meu próprio caminho.
Sem mãe, sem pai, sem Deus, sem Lúcifer.
Somente eu, abundante em meu próprio significado.
Pois, prefiro ir onde ninguém foi
e deixar que me sigam.
texto: Rômulo André Álvares
